APRESENTAÇÃO

Historicamente, o Brasil se configurou como destino de fluxos migratórios diversos, forçados ou “espontâneos” - característica que perdura na contemporaneidade. Apesar deste histórico e de sua constituição sociocultural multiétnica, imigrantes e refugiados continuam sofrendo com a invisibilidade, burocratização e a ausência de políticas acolhedoras, sendo assim é necessário fazer entender que essas circunstâncias não deve definir uma pessoa. 

A exposição "Chimena - em vermelho" busca ser catalisadora de sentimentos de empatia e conscientização, a fim de quebrar rótulos e preconceitos reproduzidos em nossa sociedade. Caroline Zambotti e Fernanda Brandão contam através de fotografias e um vídeo-áudio a história de Chimena Francisco - angolana que veio para o Brasil no ano de 2015 com apenas 17 anos, engrossando um já inflado número de pessoas que abandonaram seus países.

A despeito das motivações mais costumazes, Chimena aumentou as estatísticas de imigrantes para zelar por sua família. Mais especificamente, de Toni, seu irmão mais novo e portador de Hemofilia B grave - enfermidade pouco conhecida na Angola, descoberta através de um sério ferimento na perna. 

Tempos depois, a chegada da sua irmã Joice aumentou as expectativas pela residência permanente no Brasil - ela estava grávida e o nascimento de sua filha Dayane no país poderia facilitar o processo da documentação da família. Deste modo, Toni não perderia seu tratamento gratuito fornecido pelo sistema de saúde público brasileiro.

O projeto é desenvolvido por meio de uma narrativa documental, na qual as fotógrafas acompanharam por dois anos o cotidiano da família. A expressão "em vermelho" surgiu depois: ao analisar as imagens, as artistas perceberam a frequência acidental de elementos vermelhos na maioria das composições. Ademais, a cor também representa a ligação entre os personagens dessa história: seus laços de sangue. 

Em um pequeno cômodo encaixado nos fundos de uma pensão no bairro do Brás, em São Paulo, a família de Chimena divide atividades domésticas, lembranças e esperanças. Apesar das dificuldades encontradas e de tudo que deixaram para trás, a possibilidade de uma vida melhor é o que os conforta.

FOTÓGRAFAS

Quem somos

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Caroline Zambotti

Caroline Zambotti nasceu em 1991 em São Paulo e atualmente vive em Dublin, na Irlanda. Fotógrafa documental e de rua, seu trabalho consiste em retratar o cotidiano e as cidades por onde passa.

www.instagram.com/cazambotti

Fernanda Brandão

Nascida em Caratinga, Minas Gerais no ano de 1993, Fernanda Brandão é uma fotógrafa documental cujo trabalho é focado em narrativas socioculturais, ambientais e políticos. 

 

www.fernandabrandao.com

Toni continua com seu tratamento pelo Sistema Único de Saúde brasileiro e graças à ele segue estável.

Joice começou a cursar "Técnico em Enfermagem" e Dayane já está com 3 anos de idade.

Chimena foi para Angola esse ano para renovar seus documentos e pretende empreender no Brasil trazendo produtos do seu país pra cá, já que durante a pandemia ficou desempregada e teve que cancelar sua matrícula na faculdade. Apesar disso, Chimena segue esperançosa e quis deixar uma mensagem para todos que chegaram até aqui através da sua história: 

MensagemChimena
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"Levante daí... Não olhe pro mundo, olhe pra você e olhe para o que você quer pra você.

É basicamente isso." - Chimena Francisco

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